Desafios do mercado de maconha no Brasil

Written by on 30 março, 2021

O mercado de maconha continua a dar passos firmes, embora em vários países do mundo o caminho tenha sido um pouco acidentado ou ainda enfrente desafios.

No caso do Brasil, a indústria não é medida apenas contra desafios globais, como a pandemia de Covid-19, mas também internos, como as políticas de um governo conservador comandado pelo Presidente Jair Bolsonaro que se opõe totalmente ao uso da cannabis além das abordagens farmacêuticas.

Da mesma forma, tem havido algumas dificuldades para os cidadãos brasileiros terem maior acesso à maconha medicinal em 2021.

Embora seja verdade que as empresas farmacêuticas brasileiras estão desenvolvendo novos produtos, por outro lado a associação de pacientes sofre a pressão do poder governamental, de acordo com o relatório publicado pela Prohibition Partners.

A Cannabis no Brasil

O maior país da América Latina está despertando cada vez mais o interesse de investidores e empresas estrangeiras e nacionais. Desde 2019, a nação brasileira aprovou a fabricação de produtos à base de cannabis e sua venda em farmácias, para fins medicinais e sob prescrição profissional.

A partir deste momento, o PL 399 representa a última lei a ser discutida pelo país. O mercado está atualmente aguardando novas discussões e votações. Com relação à aprovação da lei, existem algumas opiniões diferentes. Esta proposta descarta o cultivo pessoal, o que para alguns é um ataque aos direitos individuais.

Preços proibitivos

A empresa farmacêutica, Prati-Donaduzzi, liderou a abordagem farmacêutica no Brasil com um produto registrado de 30ml com alto conteúdo de CBD e sem THC. A organização está atualmente trabalhando em novos produtos, porém o custo continua sendo um problema, pois o preço médio da CDB da Prati é mais alto do que o salário mínimo nacional.

Apesar da pandemia de coronavírus, os pacientes médicos com cannabis continuam a crescer. Há também um aumento das clínicas focadas na cannabis em grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, mas nem tudo é positivo.

As associações de pacientes aumentaram (35), mas são um exemplo claro da dificuldade de acesso dos pacientes que não podem arcar com os preços proibitivos dos produtos disponíveis, tanto nacionais como importados.

Associação de pacientes da ABRACE

A associação de pacientes ABRACE, é uma das mais conhecidas do Brasil. Desde 2017 a entidade sem fins lucrativos tem autorização judicial para cultivar cannabis e produzir CBD, a referida associação atende a mais de 14.400 pacientes.

Recentemente a organização tem estado no centro das atenções, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicitou que parasse sua “produção industrial de cannabis”, o que é percebido por alguns como uma decisão que procura favorecer a indústria farmacêutica.

A Anvisa explicou que “não pediu à associação para parar, mas sim para aderir ao regulamento publicado em 2019”, observa o relatório.

Um tribunal federal (TFR5) concedeu à associação permissão para continuar, mas a dicotomia entre regulamento e associações provavelmente permanecerá nas notícias neste 2021.

“No Brasil, as associações e o cultivo caseiro pelos próprios pacientes continuam a garantir o acesso à cannabis médica e incomodam as empresas que tentam, com patentes e perseguição, se estabelecer no mercado”, diz Héctor Gomes de Sousa, sócio da Prohibition, e analista da LATAM.


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